segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Oficina de redação: Elementos de referenciação na coesão textual: hiperônimos e hipônimos


Nayara dos Santos Ramos
1. Apresentação
1.1 Tema: Produção e Organização da Estrutura de um Texto através do uso de hiperônimos e hipônimos pelo processo de retomada em produção textuais.
1.2 Público Alvo: Discentes do 9º ano do Nível Fundamental
1.3 Carga Horária: 4 h/a
1.4 Escola Castelo Branco
2. Justificativa
            Este trabalho parte da reflexão sobre quanto os alunos que estão terminando o Ensino Fundamental estão preparados para enfrentar os desafios do futuro, se são ou não capazes de analisar, elaborar, comunicar suas idéias com clareza e, ainda, se estão preparados para continuar aprendendo ao longo da vida. Nesta proposta, procurou-se criar condições para que este aluno possa estabelecer relações pertinentes entre palavras, isso porque a escolha lexical está relacionada à estruturação de textos. Um texto é um tecido de ideias, uma rede no qual uma ideia anterior soma-se a uma ideia nova, esta por sua vez pode explicar, se opor, mostrar uma conseqüência entre outros aspectos sem prejudicar a unidade formal, material que deve haver em um texto com partes reconhecivelmente integradas entre si.
            A unidade que deve haver entre as partes de um texto caracteriza o que chamamos de coesão. A coesão é responsável pela unidade formal do texto, constrói-se através de mecanismos gramaticais e lexicais. Entre os primeiros estão os pronomes anafóricos, os artigos, a elipse, a concordância, a correlação entre os tempos verbais, esses recursos expressam relações entre as frases do texto e contribuem também por torná-lo coerente, isso porque a coerência do texto deriva de sua lógica interna. A coesão lexical se faz pela reiteração, pela substituição e pela associação. Esses conectivos ou elementos de coesão, segundo Platão e Fiorin 2005, tem a função de pôr em evidência as várias relações de sentido que existem entre os enunciados. Os elementos de coesão também proporcionam ao texto a progressão do fluxo informacional, para levar adiante o discurso.
            O mecanismo de coesão por reiteração pode ocorrer através da repetição do mesmo item lexical ou através do uso de hiperônimos e sinônimos. Os hipônimos e hiperônimos são fundamentais para a obtenção da coesão textual, na retomada de elementos em um texto, pois o seu uso evita a repetição desnecessária de termos na retomada de idéias de um texto.
            Hiperônimos são as palavras que apresentam significado mais abrangente em relação às palavras hipônimas, ou seja, hiperônimo é uma palavra que pertence ao mesmo campo semântico de outra, mas com o sentido mais generalizado, podendo apresentar várias possibilidades, por exemplo, a palavra gente está associada a homem, mulher, adolescente, criança, idoso, etc. O hipônimo tem sentido mais restrito, é o vocábulo mais específico, por exemplo, martelo, serrote, chave de fenda são hipônimos de ferramenta.
            Este projeto está voltado para a formação de alunos capazes de construir o sentido do “texto” de forma eficaz, através da escrita.
3.Objetivos
3.1 Geral
· Contribuir para a melhoria do processo ensino aprendizagem junto a estudantes da nona série do ensino fundamental em Paragominas despertando, através da análise de vários textos, a atenção para os diferentes mecanismos de coesão existentes com maior ênfase no uso de hiperônimos e hipônimos como meio de facilitar a compreensão do processo de coesão por reiteração e, por conseguinte a produção de textos.
3.2 Específicos
·    Reconhecer a importância de hiperônimos e hipônimos para a coesão textual.
·    Refletir sobre formas de referenciação na produção textual.
4. Metodologia
4.1 Procedimentos Metodológicos
            A proposta didática pedagógica deste projeto pretende trabalhar com a coesão textual através do uso de hiperônimos e hipônimos no mecanismo de coesão por reiteração, possibilitando ao aluno entrar em contato com diferentes textos, utilizando métodos que valorizem atividades de leitura, interpretação e a produção de textos. Inicialmente objetiva-se oferecer embasamento teórico e a contextualização de cada tema, levando o discente passo a passo a um encadeamento de idéias no processo de construção de sentido.
            Feitas as teorizações, serão desenvolvidas atividades para direcionar os passos para a percepção do uso de hiperônimos e hipônimos em textos e para o processo de produção textual, ou seja, desenvolver os elementos capazes de compor um texto, através de atividades de substituição de palavras hiperônimas por hipônimas ou vice e versa, entre outras atividades que estão enumeradas nas etapas a seguir.
            A metodologia a ser empregada encontra-se dividida em 03 etapas que compreendem 02 horas aula cada, tendo duração de 45 minutos. Como todo planejamento, este pode sofrer algumas alterações mediante o desenvolvimento dos alunos participantes do projeto, sempre visando às habilidades e as competências inerentes às práticas textuais e os objetivos que pretende se alcançar.

Etapa 1(2h/a)- Atividade prévia – leitura, análise de exemplos de coesão pelo uso de hipônimos e hiperônimos, conversa em sala de aula para dar suporte ao conteúdo.
Introduzir o assunto de hiperonímia e hiponímia através da seguinte dinâmica: Ditar grupos de palavras, uma por vez, para a classe e deixar que eles escrevam outras que tenham relação com a palavra ditada, por exemplo, FLOR e os alunos poderão escrever cravo, rosa, tulipa, iniciando um processo de intertextualidade que mais tarde facilitará o entendimento do uso de hipônimos e hiperônimos. Após essa atividade analisar a lista dos alunos e oralmente explicar o conteúdo e levá-los a perceber se há em suas listas alguma palavra que não tenha relação hipônima com a palavra ditada.
            Na segunda parte da aula, na atividade de leitura, o aluno individualmente folheia revistas, fascículos, jornais e selecionam um pequeno texto para ser lido, na lousa se faz o apontamento de coesão por referenciação encontrado pelo aluno, explicitando o uso e importância desse mecanismo de coesão.

Etapa 2(2h/a)-  Dividir a sala em grupos e distribuir as atividades de fixação de conteúdo, esperar que leiam, analisem e respondam os exercícios, trocando conhecimento com os colegas. Após a resolução das atividades, escolher aleatoriamente alunos de cada grupo para explicar como chegaram à resposta final.

Etapa 3(2h/a)- Desenvolver estratégias para uma produção criativa e levar os discentes ao uso de hipônimos e hiperônimos na produção textual, através da seguinte atividade. O aluno deve descrever uma paisagem, em um pequeno texto, através dos olhos de um homem que acaba de saber que o filho morreu em um assalto, sem mencionar, o filho, o assalto ou o homem. Depois descrever a mesma paisagem nas mesmas condições, hora e dia, do ponto de vista de um amante feliz, sem mencionar a palavra amor e a palavra amada. Deixar que leiam a produção para que os colegas adivinhem quem é o personagem do texto.
           
7. Avaliação
            A avaliação não deve ser vista como um controle ou como uma maneira de tolher o aluno, mas como uma possibilidade de crescimento, fazendo com que o discente possa ultrapassar seus próprios limites, através de uma avaliação de caráter formativo.
            Avaliação formativa é aquela que ocorre no centro da ação na qual as intervenções se dão em tempo real, diferente da avaliação prognóstica, que precede a ação e da avaliação cumulativa que é aquela que ocorre depois da ação.
            Como um observador privilegiado das ações do aprendiz, o professor tem condições de avaliar o tempo todo, e é essa avaliação que lhe dá indicadores para sustentar sua intervenção, nesse caso ao ler o que o aluno escreveu o professor deve respeitar suas ideias, procurando compreender o que o aluno quis dizer com o que produziu, perguntando a ele o que quis dizer com a sua produção, quais foram as suas intenções, ajudando-o a interagir com a linguagem, isso significa, certamente, corrigir os erros mais evidentes. Mas isso é diferente de fazer um aluno que quase não produz reescrever o seu próprio texto como se fosse outra pessoa. Por isso a escolha pela avaliação formativa, porque ela permite que haja a intervenção em todo o processo de ensino no sentido de fazer o discente perceber e corrigir o necessário.
9. Referências
·         http://revistaescola.abril.com.br- acesso: 08:27

10. Anexos
Atividade que será aplicada na etapa 02:
01. Preencha o seguinte quadro, exemplificando com hipônimos ou com o hiperônimo relativo ao grupo de palavras:

Hiperônimos
Hipônimos
AVE


gato, cachorro, papagaio, peixe, curió
FERRAMENTA

ANIMADO


sardinha, pescada, gó, salmão, dourada
GENTE


02. Preencha as lacunas das frases com o hipônimo ou hiperônimo necessário para a compreensão da frase.

a) Eles estão muito felizes com o novo gato._____________________ é muito brincalhão e dengoso.
b) Meu pai comprou um carro novo. O moderno _________________ tem tudo o que um carro de luxo tem.
c) O “Katrina” deixou cidades inteiras arrazoadas. O _________________ apareceu repentinamente e destruiu o que estava pela frente.
d) Os adolescentes adoram postar suas intimidades no facebook. A ________________
tem a cada dia mais seguidores.

03. Preencha, de acordo com o texto,  com o hipônimo ou hiperônimo correto.

Boa notícia
Há uma informação no rótulo dos remédios a que pouca gente presta atenção: o teor de álcool contido nos produtos. O Conselho Federal de Farmácia está bastante preocupado com o assunto. O órgão encaminhou um pedido ao Ministério da Saúde para que a taxa máxima de álcool nos medicamentos seja regulada por lei. O conselho quer que, no caso dos medicamentos infantis, o teor não ultrapasse os 5%. Nos outros remédios, não deve ficar além dos 10%. Acima disso, afirmam os especialistas, a substância pode causar dependência em quem precisa utilizar medicamentos com freqüência.
Veja 10 / 05 / 2000

Agora responda

a) Teor de álcool contido nos medicamentos é retomado por _______________________.
b) Conselho Federal de Farmácia é retomado por ___________________________.
c) Remédios é retomado por ____________________ e por ___________________.
d) Álcool é retomado por ______________________.

04. Leia com bastante atenção o texto “Namoro e futebol”. Após a leitura redija um pequeno comentário (15 linhas) sobre a crônica de Moacir Scliar. Nele você deve estar atento às palavras texto e autor e utilizar um termo mais específico (hipônimo) para fazer referência a elas. Em seu texto, esses termos devem ser sublinhados.
“Namoro e futebol”
(Moacyr Scliar)

Eles se conheceram na escola, onde cursavam a mesma classe. E foi o legítimo amor à primeira vista. Uma semana depois já estavam namorando, e namorando firme. Eram desses namorados que fazem as pessoas suspirar e dizer bem baixinho: meu Deus, o amor é lindo. Ele, 17 anos, alto, forte, simpático; ela, 16 uma beleza rara. Logo estavam se visitando em casa. Os pais de ambos davam a maior força para o namoro e antecipavam um casamento no futuro: os dois formavam o casalzinho ideal. Inclusive porque gostavam das mesmas coisas: ler, ir ao cinema, passear no parque.
Mas alguma coisa tinha que aparecer, não é mesmo? Alguma coisa sempre aparece para perturbar mesmo o idílio mais perfeito.
Foi o futebol.
Ele era maluco pelo esporte. Jogava num dos times da escola, no qual era o goleiro. Um grande e esforçado goleiro, cujas defesas muitas vezes arrancavam aplausos da torcida.
Ela costumava assistir às partidas. No começo nem gostava muito, mas então passou a se interessar. Um dia disse ao namorado que queria jogar também, no time das meninas da escola. Para surpresa dela, ele se mostrou radicalmente contrário à idéia. Disse que futebol era coisa para homem, que ela acabaria se machucando. Se queria praticar algum esporte, deveria escolher o vôlei. Ela ficou absolutamente revoltada com o que considerou uma postura machista dele. Disse que iria começar a treinar de qualquer jeito.
Começou mesmo. E levava jeito para a coisa: driblava bem, tinha um chute potente. Só que aquilo azedava cada vez mais as relações entre eles. Discutiam com freqüência e acabaram decidindo dar um tempo. Uma notícia que deixou à todos consternados.
Passadas umas semanas, a surpresa: o time das meninas desafiou o time em que ele era goleiro para uma partida.
Ele tentou o possível para convencer os companheiros a não jogar com elas. No fundo, porém, não queria se ver frente a frente com a namorada, ou ex-namorada. Os outros perceberam isso, disseram que era bobagem e o jogo foi marcado.
Ele estava tenso, nervoso. E não podia tirar os olhos dela. Agora tinha de admitir: jogava muito bem, a garota. Era tão rápida, quanto graciosa e, olhando-a, ele sentia que, apesar das discussões, ainda gostava dela.
De repente, o pênalti. Pênalti contra o time dos garotos. E ela foi designada para cobrá-lo. Ali estavam os dois, ele nervoso, ela absolutamente impassível. Correu para a bola – no último segundo ainda sorriu – e bateu forte. Um chute violento que ele, bem posicionado, defendeu. Sob aplausos da torcida.
O jogo terminou zero a zero. Eles se reconciliaram e agora estão firmes de novo. Mas uma dúvida o persegue: será que ela não chutou a bola para que ele fizesse a brilhante defesa? Não teria sido aquilo um gesto, por assim dizer, de reconciliação?
Ela se recusa a responder a essa pergunta. Diz que um pouco de mistério dá sabor ao namoro. E talvez tenha razão. O fato é que, desde então, ela já cobrou vários pênaltis. E não errou nenhum.

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